Original Pinheiros Style

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I remember you was conflicted
Misusing your influence
Sometimes I did the same
Abusing my power, full of resentment
Resentment that turned into a deep depression
Found myself screaming in the hotel room
I didn’t wanna self destruct
The evils of Lucy was all around me
So I went running for answers
Until I came home
But that didn’t stop survivor’s guilt
Going back and forth trying to convince myself the stripes I earned
Or maybe how A-1 my foundation was
But while my loved ones was fighting the continuous war back in the city, I was entering a new one
A war that was based on apartheid and discrimination
Made me wanna go back to the city and tell the homies what I learned
The word was respect
Just because you wore a different gang color than mines
Doesn’t mean I can’t respect you as a black man
Forgetting all the pain and hurt we caused each other in these streets
If I respect you, we unify and stop the enemy from killing us
But I don’t know, I’m no mortal man, maybe I’m just another nigga

As palavras de Tupac Shakur, enfatizadas por Kendrick Lamar ao longo das faixas deste disco que já pode ser considerado um clássico do rap contemporâneo, deixam claras as intenções – ou pelo menos nos ajudam a tentar entender a mensagem do virtuoso MC de Compton que, em seu terceiro LP, chega arregaçando e com os dois pés no peito. E nos mostra também um tipo diferente de rapper, que expõe suas fragilidades e inseguranças, e as mistura num balaio doido com o notório hoodbrag dos maiores do gênero ao longo dos últimos 30 anos; do próprio 2Pac a Chuck D, de Jay-Z a B.i.G. O questionamento da supremacia branca norte-americana é a espinha dorsal de “To Pimp A Butterfly”, mas vários outros assuntos vêm à tona ao longo do play; a treta de Ferguson, a patuscada do stablishment do rhythm n’ pop de merda que direciona a música negra contemporânea, e as próprias questões de um moleque de vinte e poucos anos que em poucos deles foi elevado ao status de salvação de um estilo que até 5 anos atrás respirava com ajuda de aparelhos. A capa do disco é um ótimo exemplo; Kendrick e seus lil’ homies no melhor estilo hood gangsta, Compton style, em frente à Casa Branca. POW! É musicalmente, entretanto, que o disco esquenta; Kendrick pode ser considerado a linha de frente de uma geração talentosa, que inclui Frank Ocean, a rapa do Odd Future, Earl Sweatshirt e vários outros nomes. Moleques que nasceram na década de 90, não viveram a golden era do gênero, e ainda assim souberam incorporá-la, produzindo material autoral, inovador e convincente. Se “Good Kid, m.A.A.d City” foi um excelente cartão de visitas e mostrou que o menino sabia rimar, “To Pimp (…)” impõe um novo padrão e eleva o sarrafo; spiritual jazz? Wow. O rapper já pode ser considerado (quase?) tão inovador quanto Dr. Dre e o Outkast e suas experimentações com o P-Funk. Politicamente incorreto, agressivo, sexual e intenso, KL rima como se não houvesse amanhã em faixas que deixaram o OPS sem fôlego. É claro que no meio de todo o hype ainda há espaço pra alguns escorregões, ou pelo menos momentos de incompreensão, o clássico “que porra é essa?”, mas ao ouvir as fodásticas King Kunta, Institutionalized, Alright, Momma, Hood Politics, i (Isley Brothers!) e o carro-chefe do disco, Blacker The Berry, e quase impossível ficar indiferente. Trata-se, obviamente, de um disco pra quem gosta de rap – não tente apresentá-lo pra sua mãe como música inovadora caso sua mãe não seja, hum, a Erykah Badu. Ainda assim, um sopro de renovação, e a demonstração definitiva de que é possível fazer rap e ser relevante em 2015. Rap? Melhor: vamos chamar de Música Negra Relevante.

  1. Wesley’s Theory
  2. For Free?
  3. King Kunta
  4. Institutionalized
  5. These Walls
  6. U
  7. Alright
  8. For Sale
  9. Momma
  10. Hood Politics
  11. How Much A Dollar Cost
  12. Complexion (A Zulu Love)
  13. The Blacker the Berry
  14. You Ain’t Gotta Lie (Momma Said)
  15. i
  16. Mortal Man

05/04/2015, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

Cocaine

Compilação com alguns dos maiores sucessos do legendário toaster jamaicano Dillinger durante a segunda metade da década de 70 e primeira metade de 80, “Cocaine” (New Cross) foi disponibilizada para o sempre voraz mercado inglês em 1983. Claramente influenciado pela primeira onda de toasters e Djs jamaicanos como U-Roy e Dennis Alcapone (que foi uma espécie de padrinho musical de Dillinger), o artista foi imortalizado pelo clássico Cocaine In My Brain, de longe seu maior hit. O OPS recomenda ao curioso cidadão interessado nos melindres da cultura musical jamaicana que ouça com atenção às produções, que ficam a cargo de alguns dos maiores especialistas da ilha caribenha; Lee Perry, Bunny Lee, Yabby You, Hoo Kim (que produziu o clássico Cocaine) e até mesmo o grande Coxsone Dodd, que emprestou uma dúzia de riddims da Studio One para que o Dj rimasse sobre os hinos – volte 7 casas e ouça “Ready Natty Dreadie”. No caso da coletânea em questão, concentre-se nas alucinantes Cocaine, Funky Punk (que é lado B do sete polegadas de Cocaine) e na lisérgica Flat Foot Hustlin’, usada por Madlib na mixtape “Blunted In The Bombshelter”, sua “homenagem” feita às pressas e sob encomenda para os empresários da Island/Trojan Records . Diversão garantida, ou seu download de volta

  1. Cocaine In My Brain
  2. Jah Love
  3. Funky Punk
  4. Mickey Mouse Crab Louse
  5. I Thirst
  6. Loving Pauper
  7. Flat Foot Hustlin’
  8. Crabs In My Pants
  9. Marijuana In My Brain

05/04/2015, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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“Cry Babies” (CID, 1969) é um disco antológico por uma série de razões; protótipo da sonoridade que daria origem ao movimento Black Rio ao longo da década de 70, o grupo conta com alguns dos músicos mais talentosos do Rio de Janeiro à época. Se liga nessa formação all star: Oberdan no sax, Luis Carlos na bateria, Paulinho no piston, Serginho no trombone, Osvaldo no contrabaixo, Carioca nas congas, Ovídio na guitarra, Moacir no piano, Rosana (aquela mesmo!) e Aldo nos gogós, e Sergio Carvalho no órgão. Esses legendários músicos viriam a ser, em alguns anos, os pilares de bandas como a própria Black Rio, a Abolição de Dom Salvador e o Impacto 8 de Raul de Souza. Produzido por Durval Ferreira e calcado no soul-funk que já nadava de braçada ao final da década de 60, o LP tem vários momentos instrumentais inspirados e faixas que fazem alusão ao universo negro norte-americano, como as fodásticas Kool & The Gang, Daydream, Questions 67/68, e até mesmo a popularesca I’ll Never Fall In Love Again. Avaliado em quase dois mil reais no Discogs, o disco conta com um repress japonês do início do século que pode ser encontrado por R$300/R$400. Em função do preço e da obscuridade desta opereta, o OPS resolveu pagar de old school e disponibilizar o respectivo áudio para vossa senhoria – tudo em robustos 320kbps, para uma melhor e mais completa experiência estereofônica. Divirta-se!

  1. It’s My Thing
  2. Kool & The Gang
  3. Daydream
  4. Hey Blood
  5. Questions 67-68
  6. Blas, Blas, Blas Soul
  7. More Today Than Yesterday
  8. Caminhos Diabolicos
  9. I’ll Never Fall In Love Again
  10. Midnight
  11. Good Golly Miss Molly
07/03/2015, por Pedro Pinhel - 3 comentários

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Feliz ano novo a todos! O OPS espera recuperar em 2015 um pouco do fôlego perdido em tempos recentes – culpa do mundo corporativo e seus imediatismos idióticos. Música é a chave! “Everybody Loves The Sunshine” (1976) é, em nossa humilde porém petulante opinião, um dos grandes discos da carreira do genial vibrafonista Roy Ayers. É o décimo quarto LP de sua carreira. A faixa-título “Everybody Loves The Sunshine” foi sampleada à exaustão por vários artistas do hip-hop de várias gerações, e é um hino do soul-funk-fusion-R&B da segunda metade dos anos 70. O som que permeia o disco é funky, sujo e alinhado à sonoridade da parte final da década de 70, ainda que sabotando a disco music que já começava a dar as caras em ’76. Coisa finíssima. Não deixe de perder!

  1. Hey Uh What You Say Come On
  2. The Golden Rod
  3. Keep On Walking
  4. You And Me My Love
  5. The Third Eye
  6. It Ain’t Your Sign It’s Your Mind
  7. People And The World
  8. Everybody Loves The Sunshine
  9. Tongue Power
  10. Lonesome Cowboy

09/01/2015, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Outro LP de hip-hop que passou a milhares de quilômetros do radar da suposta mídia especializada brazuca, a.k.a. formadores de opinião do rap, é o bom “Hallways” (Stones Thtow), segundo disco do versátil MC nova-iorquino/porto-riquenho Homeboy Sandman. O grandalhão (word up Galvão Bueno!) e carismático rapper de Queens tem, aos 34 anos, um currículo de fazer inveja a muito putão do gênero; 2 discos gravados pela Stones Throw, admiração do rap e de paga-paus indie em geral, um flow versátil que vai das babas ao freestyle em 2 músicas e pelo menos 4 videoclipes muito bem produzidos. Por falar em produção, “Hallways” é produzido por uma turma da pesada: Blu, Dj Spinna, Oh No e Johnwayne. O discurso do Homeboy já é um pouco mais amargo que no disco de estreia; assuntos como depressão, fama – e seus problemas -, mulheres e a imersão no universo hipster dominam boa parte do discurso do álbum. Ainda assim, o MC se mostra acima da média e bastante espontâneo na verborragia e na ginga. O OPS recomenda a ótima Problems, que vossa excelência pode conferir aí logo abaixo, como o destaque do LP. E caso o bacharel se interesse por adquirir álbuns digitais a nove dólares e noventa e nove cents via iTunes, o caminho é esse aqui, ó. Se não é o melhor disco do gênero na boa safra que tem sido o ano de 2014, “Hallways” vale um punhado de audições.

  1. 1, 2, 3
  2. America, the Beautiful
  3. Loads
  4. Refugee
  5. Activity
  6. Heaven Too
  7. Problems
  8. Grand Pupa
  9. Personal Ad
  10. Stroll
  11. Unraveling
  12. Enough

27/12/2014, por Pedro Pinhel - 1 comentário

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O Boteco Pratododia está de portas fechadas desde novembro, mas as festas não param! Domingão (21) é dia da última edição do projeto Pratododia All Stars, formação itinerante, outdoors e à luz do dia de Djs, discotecários, seletores e entusiastas que fazem festas no Boteco. A edição de domingo conta com os Djs da casa (o boss Julião Pimenta, Don Magrones e Dj Moocado, os irmãos Gimenes, Janão e Iznup), além do colecionador da pesada Edson Carvalho (a.k.a. Senhor Johnson), Pedro Pinhel (OPS) e Dj Nuts. Chega junto! A festa começa às 14h, termina às 22h, e tudo leva a crer que teremos barracas de comidinhas (e não food trucks), além de lojinhas de LP e tal. Fim de ano da firma é isso aí!

18/12/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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E não é que 2014 continua a nos surpreender? E aos 49 do segundo tempo!

Quando D’Angelo lançou seu penúltimo disco, em 2000, o Brasil ainda era tetra – e a seleção costumava ser um bom time. Pois é. Muito tempo se passou, muita coisa aconteceu, o músico passou por um punhado de rehabs e seus dois primeiros álbuns, “Brown Sugar” (95) e “Voodoo” (2000), ganharam status de clássicos à medida que D foi ganhando fama de uma espécie de Poderoso Chefão do neo-soul, gênero que floresceu na última década e tem nele e em Erykah Badu seus principais nomes. Os problemas com drogas, a reclusão e a falta de shows ou lançamentos estereofônicos relevantes apenas aumentaram o folclore ao redor do artista. O endosso de gente do quilate de ?uestlove, que co-produziu “Voodoo” com os Soulquarians, sempre manteve no ar um certo grau de expectativa. Será que vem coisa nova por aí? Todo mundo que curte o estilo sabe que os dois estavam em estúdio há meses, mas até aí sempre tem um Black Alien pra nos provar o contrário, certo? O fato é que “Black Messiah” veio, e veio forte. Passado o hype inicial, o OPS conseguiu fazer um par de dezenas de audições e concluiu que trata-se, na pior das hipóteses, do disco do ano. A mistureba de Funkadelic, Prince, Dilla e Al Green, tudo batido no liquidificador da dupla D’Angelo/?uestlove, soa absolutamente autoral. Ainda não conseguimos decidir se gostamos mais de Sugar Daddy, Really Love ou Betray My Heart; o fato é que se “Black Messiah” não chega a reinventar um gênero, ele é certamente um sopro de inventividade em um estilo estagnado e mal explorado pela indústria, o R&B contemporâneo. E ainda que o marketing escroto dos RPs que forçaram a antecipação do lançamento em função dos conflitos raciais de Ferguson queira te enfiar um produto goela abaixo, a sensação de que o LP é um golpe de mestre está presente em todo o disco. Claro que nossa carência por discos coesos, densos e marcantes num cenário dominado pelo streaming e pelo conceito de “disco da semana”, a voracidade das redes sociais e as resenhas de 24 horas são boas razões para que desconfiemos de quaisquer lançamentos de hoje em dia, mas nada disso importa. Discos inspirados sempre existirão, e nós voltamos a insistir que “Black Messiah” é um deles. Compre a bolacha via iTunes aqui, vá atrás do LP, e caso vossa senhoria tenha menos de 28 anos, a gente autoriza até mesmo vossa audição via streaming. Ouça!

  1. Ain’t That Easy
  2. 1000 Deaths
  3. The Charade
  4. Sugah Daddy
  5. Really Love
  6. Back to the Future (Part I)
  7. Till It’s Done (Tutu)
  8. Prayer
  9. Betray My Heart
  10. The Door
  11. Back to the Future (Part II)
  12. Another Life

18/12/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Contrariando as estatísticas mais otimistas dos últimos anos, 2014 foi um ano movimentado para o rap. Em terra brasilis, além do já famoso fenômeno do crossover rap-pop-reggae-afro-brega que elege ícones maiores que suas músicas, tivemos os sempre fodásticos Racionais MC’s na linha de frente, com o já clássico “Cores & Valores”; nos EUA, ótimos lançamentos marcaram o ano, e alguns já deram as caras por aqui (Freddie Gibbs e J.Cole são exemplos de grandes discos de ’14 que surgirão imponentes caso vossa senhoria mova a barra de rolagem do site). Muita gente talentosa ainda não apareceu em nossas páginas virtuais, mas é uma questão de tempo: Run The Jewels, Skyzoo & Torae, Black Milk e Step Brothers são alguns dos (muitos) exemplos da excelente e incomum produtividade do ciclo, mas um dos lançamentos pode ser considerado mais relevante que seus amiguinhos. “PRhyme” (PRryme Records) é o resultado estereofônico da parceria entre o legendário Dj e produtor Premier e o veterano MC Royce da 5’9”. Lançado aos 49 do segundo tempo, em 9 de dezembro, o LP é co-produzido pelo ótimo Adrian Younge, e conta com participações de gente do quilate de Killer Mike, Common e Jay Electronica. Alinhado ao melhor da produção característica do gênero no último par de anos, mas cheio de flertes com o rap da golden era – culpa do Dj Premier -, o disco é, do início ao fim, uma aula de rap. Um dos aspectos mais interessantes do lançamento é o fato de 2 veteranos (Premier tem 48 anos, Royce tem 37) se mostrarem tão em forma. Razão mais do que suficiente para que o título do álbum seja PRIME (algo como “auge”), e se “PRhyme” não for o auge da carreira do notório Premier, que tem em seu currículo produções cascudas para alguns dos maiores clássicos do rap, ele é certamente o momento máximo da carreira de Royce da 5’9”. Confira logo abaixo o vídeo de Courtesy, primeiro single da bolacha, e tire suas próprias conclusões. Quer comprar a versão digital do play via iTunes? O OPS mostra o caminho das pedras. Divirta-se!

  1. PRhyme
  2. Dat Sound Good (feat. Ab-Soul, Mac Miller)
  3. U Looz
  4. You Should Know (feat. Dwele)
  5. Courtesy
  6. Wishin’ (feat. Common)
  7. To Me, To You (feat. Jay Electronica)
  8. Underground Kings (feat. Schoolboy Q, Killer Mike)
  9. Microphone Preem (feat. Slaughterhouse)

14/12/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Obra-prima! O OPS é até meio suspeito pra falar a respeito quando o assunto é Eumir Deodato, um dos arranjadores que mais admiramos por aqui. Concebido em 1972 e 100% instrumental, “Percepção” é um dos LPs mais intensos da carreira de Deodato. Apesar de gravado em época similar à de seus lançamentos mais funky para o selo norte-americano CTI, o disco tem uma essência mais orquestrada, quase épica, sempre misturando a verve jazzística do pianista/compositor com bossa nova de forma rebuscada e complexa, ainda que o resultado seja música suave e relaxante na maioria das faixas. Todos os sons são composições próprias, com exceção da bonita Nenê, assinada por Hermeto Pascoal. “Percepção” é uma beleza, espécie de transe estereofônico para momentos especiais, e o OPS continua no encalço frenético da bolacha. Em 2002 o aficcionado colecionador e Titã Charles Gavin nos presenteou com a reedição da pepita em CD, formato que no ano em questão ainda parecia um bom negócio. De qualquer forma, em CD, LP ou formato digital, trata-se de ouro sônico. Falemos sobre o elepê; tem uma cópia em bom estado? Nós estamos dispostos a negociá-la. A versão digital do iTunes é suficiente para vossa excelência? Curte aí.

  1. Dia de Verão
  2. A Grande Caçada
  3. O Sonho de Judy
  4. Adeus Amigo
  5. Bebê
  6. Neve
  7. Barcarole
  8. Serendipity
14/12/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Indicado ao OPS pelo sempre atento mano angolano e autêntico hip-hop head africano Keita Mayanda, “2014 Forest Hills Drive” é um dos (poucos e) bons discos de rap lançados neste segundo semestre de 2014. Terceiro álbum de estúdio do talentoso J. Cole, primeiro artista contratado pelo selo Roc Nation, do HOV Jay-Z, “2014 Forest Hills Drive” tem lançamento digital oficial previsto pro dia 10 de dezembro, mas já tá rolando em links misteriosos oriundos de algum lugar da Russia (oh yeah!). Se liricamente o disco soa jovem como os trabalhos de alguns de seus contemporâneos, como Kendrick Lamar, Frank Ocean e o próprio Drake, o flow de J. Cole é naturalmente versátil; nascido na Alemanha e residente da Carolina do Norte desde moleque, o MC rima com bastante facilidade sobre alguns temas óbvios e bem jovens – virgindade, por exemplo – e faz as clássicas referências ao suposto “trono” do rap, mas é musicalmente que o álbum faz algum barulho. A produção azeitadíssima mistura no mesmo balaio o boom bap dos anos 90, os timbres refinados de produções atuais e o neo soul presente nos trabalhos de artistas como Frank Ocean, e o resultado é bem honesto. O destaque do OPS é a cadenciada St Tropez, apesar de a unidade da bolacha ser um dos pontos altos do LP. Malaco e consciente de seu papel num momento de transição do gênero, J. Cole se firma como um nome de destaque no universo do hip-hop contemporâneo.

Baixe o disco – que ainda está em modo pre-order – via iTunes aqui e tire suas próprias conclusões!

05/12/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Pra entender a profundidade, a relevância e a contemporização de “Cores & Valores”, que acaba de sair do forno, volte 20 casas. Ou anos.

Minha relação com o rap nacional é quase tão antiga quanto minha paixão pelo gênero; me lembro de escutar o programa Projeto Rap Brasil, do Dj Armando Martins, que rolava na rádio Metrô no comecinho dos anos 90, com uma fita cassete devidamente posicionada e o REC no gatilho, pra gravar os clássicos da época; Duck Jam, Thaíde, GOG, Sampa Crew, Racionais e tal. Playboy, alemãozinho, morador de bairro classe média-alta e estudante de colégio particular; perfil típico de um fã de rap contemporâneo, mas quase uma assombração em 93. Outsider é talvez o melhor termo pra definir o fetiche de um adolescente por um gênero que também vivia sua adolescência na primeira metade da década de 90. Num tempo em que a internet era somente uma viagem futurística de ácido e o supra-sumo do crossover rap  versus pop tupiniquim era o Gabriel o Pensador com uma camiseta do Cypress Hill na MTV, se interessar por hip-hop made in Brazil era quase uma excentricidade. Grupos como Beastie Boys, House of Pain e o próprio CH eram ótimos chamarizes, embora já contassem com produções azeitadas e muito bem formatadas – tudo mais acessível e palatável pro jovem bem-nutrido. Racionais era foda, e a verborragia cronista de um certo Mano Brown já me chamava a atenção, mas confesso que costumava colocar tudo no mesmo balaio; achava Colarinho Branco, clássico de Duck Jam & A Nação Hip Hop, tão relevante quanto Pânico na Zona Sul. A essa altura eu já tinha entendido a ideia; samples de funk e soul e flertes ainda tímidos com a riquíssima e então pouco explorada música brasileira davam vida a relatos de realidades absolutamente fascinantes e completamente distantes da vida vivida por mim aos 16. A falta de outros moleques com o mesmo interesse musical na escola e na vizinhança, ou mesmo de referências em jornais e revistas – a melhor forma de se informar a respeito nos noventa além das clássicas idas às Galerias – só fazia crescer o sentimento de que eu tinha descoberto petróleo estereofônico. Ouro negro! A cultura negra já dava as caras de formas sempre pouco convencionais; o interesse pelo basquete e pela cultura negra americana e jamaicana já começava a aflorar, e tudo parecia apontar para o rap como uma espécie de válvula de escape pra vidinha chata e monótona de molecote de classe média. Alguns anos de intenso estudo e respeito aos beats, MCs, estilos, rimas decoradas, pioneiros, brazucas e gringos, conscious rap, e… POW. Chegou 97. O fundamental “Sobrevivendo no Inferno” veio pra virar a cabeça de toda uma geração, e até a playboyzada se ligou que aquilo ali era uma obra-prima. Claro que a época já era outra, o rap começava a bater forte em festas da zona oeste – e boy que é boy nunca foi de perder a carona, né não nêgo? O flow do Brown já era claramente descolado dos estilos dos parceiros Edy Rock e Ice Blue (até porque rimar cemitério e é sério não caracteriza genialidade), e se musicalmente as bases ainda tinham os dois pés fincados na fórmula funk & soul, a lírica do cara dava mostras de que o jogo já tinha um dono. O período 97-02 foi muito importante pro aprimoramento do gênero no Brasil; surgiram dezenas de produtores fodásticos e bem equipados, Djs muito técnicos, MCs versáteis e com diferentes sotaques, e até uma espécie de rixa RJ X SP surgiu tímida, personificada no discurso social e engajado dos Racionais se opondo ao estilo G-funk, laid back, informal e bem-humorado dos cariocas do Quinto Andar, SpeedFreaks e do próprio Planet Hemp. Pronto. Já tínhamos até nosso East X West! A golden era chegava ao fim nos EUA, e o (discutivelmente) verdadeiro tratado hip-hop brazuca foi concebido pelos Racionais; o longo, genial e por vezes repetitivo “Chora Agora, Ri Depois” é violento, misógino, brutal, papo-reto, direto, e se define no seguinte verso de Brown: “aos parceiros, tenho a oferecer minha presença / talvez até confusa mas real e intensa”. A tal presença por vezes confusa do discurso dos integrantes é proposital, visceral e está em toda parte; os temas dinheiro, mulher, carros, inserção social, violência e preconceito continuam a permear o discurso, e novas obras-primas vêm à tona: para o OPS, Vida Loka parte I e II, Negro Drama e Jesus Chorou estão no Olimpo do rap nacional, ao lado das não menos importantes Rap É Compromisso e Um Bom Lugar, hinos frenéticos do saudoso Sabotage. Tudo da mesma época! E como escreveu recentemente o amigo Mateus Potunati em seu facebook, “Chora Agora (…) deu aos Racionais 12 anos de vantagem em relação à concorrência. E 12 anos depois, eles mudaram a cara do jogo novamente.” Pois é. Chegamos em 2014, e em meio ao discurso meio bosta/meio óbvio dos jornaleiros de plantão de que a indústria fonográfica já era (o que é sabido), que os grandes nomes do rap já têm entre 40 e 50 anos (o que é sabido), que o gênero parou de inovar (o que é questionável) e blablablablablá – tudo isso sem contarmos os fenômenos rap-pop de pós-produção que incluem 2 afrobeats, 1 samba, 1 reggae e 1 brega no pacote sob encomenda -, os mesmos Racionais chegam com um arregaço sônico de 35 minutos, um soco no esôfago e uma ode ao trap/dirty south estilo ATL que consagra o talento do grande Dj CIA como produtor, ao lado, é claro, do já notório e talentoso KL Jay. Novamente Brown lidera a porra toda, rimando de forma nada ortodoxa e anti-sincopada, subvertendo palavras e versos, e instigando Edy Rock a elevar o nível; Ice Blue vem no embalo e faz seu papel de Flava Flav do Capão, rimando sobre a ostentação e o orgulho de ser preto e ter conquistado todos os territórios do tabuleiro dos Racionais nos últimos 25 anos. Rimas clássicas da carreira dos caras viraram refrões, bordões hipnóticos (“Na mão de favelado é mó guela”, com Brown fazendo as vezes de um Darth Vader do gueto é o momento mais hipnótico e clássico do disco para o OPS), e Brown se sente suficintemente confortável pra citar Cazuza e Marina Lima em seu discurso. “Arrombado” já é a gíria de 2014, e espere ouvir seu afilhado de 9 anos falando isso a torto e direito daqui pra frente. Li algumas críticas fazendo referência à ausência das clássicas crônicas de 7, 8, 10 minutos. Caralho; sério que todo mundo espera que os caras se repitam exaustivamente aos 45 anos? A genialidade com que os temas vão mudando, a dinâmica e o timing deixam claro que os Racionais entendem perfeitamente os tempos loucos em que vivemos; Lembranças dos anos 80, referências de sons, mea culpas sobre mulheres e apresentações mal-sucedidas, maturidade, o bang pela grana e o orgulho do Capão continuam sendo os temas cruciais, mas Mano Brown surpreende novamente em Eu te Proponho, explicitando o clássico I’m a man with needs that need fulfilling do grande Count Bass D com auxílio do grande Cassiano num pós-sample matador. Até Edy Rock tem seu momento sublime, na ótima e sampacrewstica O Mau E O Bem, um dos pontos altos do disco. E quando você acha que tá acabando, Brown vem e te dá dois tapas na cara, mandando Você Me Deve e Quanto Vale O Show, que sampleia um comunicador tão intenso quanto ele próprio: Señor Abravanel. Quer mais? Pro OPS tá de ótimo tamanho. Racionais ainda são a linha de frente do RAP nacional, e sempre serão.

Ah! Em tempo: 1. PARE de dizer que os samples do disco são incríveis. Esse disco não tem samples, e sim beats, timbres e efeitos (ok, tem 3 samples aqui: a voz do Silvio e um lo-fi da música-tema de Rocky, e um ESPETACULAR sample de Liquid Love, de Roy Ayers, em Eu Te Proponho). 2. PARE de se referir ao disco como uma mixtape; vários LPs antológicos dos anos 60 e 70 têm pouco menos de 40 minutos de duração, e são melhores que qualquer disco de rap conceitual, gringo ou brazuca, dos últimos 5 anos. 3. PARE de fazer resenha de disco 24h após o lançamento; isso só te constrange e mostra seu despreparo e desconhecimento do assunto (se for pra jornal de grande veiculação, volte 40 casas). 4. PARE de mendigar link dos outros; colabore, compre a versão digital em mp3 do disco aqui e respeite o legado. “Arrombado.”

01/12/2014, por Pedro Pinhel - 5 comentários

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O PSIU até que tenta, mas o som não pode parar! O Boteco Pratododia continua fechado até segunda ordem, mas a Funky Nuggets vai rolar! A festa acontece sábado a partir das 16h, no Largo do Café – bem pertinho da estação São Bento do metrô. Além da FN, teremos ainda a Bendita Festa e a Brazília Teimosa. A Funky Nuggets rola das 20h às 22h, com nossos discotecários Pedro Pinhel e Peba Tropikal recebendo o amigo e Dj argentino Lenni Og Funk! Bóra dançar e beber de dia e ao ar livre!

Serviço:

Quando: 29/11/14 (sábado), das 16:00 às 22:00
Onde: Largo do Café – Próximo à estação São Bento do Metrô
Quem toca: Alice Coutinho, Ana Carmo e Theo Werneck (Bendita Festa); Julião Pimenta, Dj Moocado e Don Magrones (Brazília Teimosa); Pedro Pinhel, Peba Tropikal e Lenni “OG” Funk (Funky Nuggets).
Quanto: Grátis
Censura: Livre

26/11/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Oooh yeah! O Original Pinheiros Style tem a honra de disponibilizar ao receptáculo mais atento o EP “Não Parece Tão Legal Agora”, lançado pelo conjunto musical Coronel Pacheco, dos amigos Edu Barreto (vocal e guitarra), Bruno Brandão (vocal e bateria), Luiz Hygino (vocal e guitarra) e Rodrigo Passeira (contrabaixo). O som é essencialmente roqueiro, mas as influências de música tupiniquim permeiam 100% das 4 faixas lançadas pelos Coronéis em seu segundo flerte com o mercado fonográfico – o primeiro disco, de 2010, se chama Volume 1 e ainda não contava com Hygino na formação. “Não Parece (…)” tem participação de Guilherme Kastrup na percussão, Natan Oliveira (Banda Black Rio) nos arranjos de metais da faixa Vale e de Victor Meira (Bratislava) nos arranjos vocais. A produção ficou a cargo de Guto Gonzales, do Estúdio Lamparina. Além de fazer com bastante prazer as discotecagens de abertura dos shows dos caras há cerca de 2 anos, o OPS tem muito orgulho em divulgar um som que considera bastante autoral e cheio de personalidade, além de muito bem-humorado; a recomendação imediata é a faixa Sofia, mas não pára por aí; a mistureba de rock e ritmos tropicais, bregroove e até “um tiquinho” de carimbó são a marca registrada do som do Coronel. Duvida? Ouça e/ou baixe de grátis no Soundcloud dos caras logo abaixo e, se estiver em São Paulo e puder, vá ao show de lancamento do EP, que rola sexta-feira (28 de novembro) no Espaço Urucum (Cardeal Arcoverde boulevard, 1598, aqui mesmo no próspero condado de Pinheiros) a partir das 20h. Depois não diga que o OPS não avisou!

  1. Sofia
  2. Bismarck
  3. Vale
  4. Copo Cheio

26/11/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Ok, até sua mãe deve conhecer o hino I Wish, um dos raps mais folclóricos dos anos 90. O que muita gente não sabe é que o disco, gravado pelo não menos folclórico MC californiano Skee-lo, é uma pérola do cancioneiro hip-hop estadunidense, além de uma ode ao gênero que em 95 vivia um ótimo momento. As doze faixas de “I Wish” (Altra Moda), que pode ser baixado aqui, são operetas do estilo de produção west coast 90, cheias de samples de soul-jazz, beats gordos e chiados, e as rimas são um caso à parte, fazendo referências a todos os clichês do estilo; mulheres, carros, braggin’, basquete, popularidade, escola… O hit I Wish, executado à exaustão no clássico Yo! MTV Raps, tem um sample da ótima Spinnin‘, do funkman oitentista Bernard Wright, e merece o posto de um dos clássicos mais chicletescos do rap norte-americano – no bom sentido, obviemant. O OPS recomenda que vossa excelência ouça o disco de cabo a rabo, com calma e atento aos maneirismos rítmicos do ano em questão, para uma análise atemporal sobre o clássico. Porque é rap do bom, amigo!

  1. Superman
  2. I Wish
  3. Never Crossed My Mind
  4. Top Of The Stairs
  5. Come Back To Me
  6. Waiting For You
  7. Holdin’ On
  8. You Ain’t Down
  9. Crenshaw
  10. This Is How It Sounds
  11. The Burger Song
  12. I Wish (remix)

18/08/2014, por Pedro Pinhel - 1 comentário

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Outro disco pra lá de fodástico da diva Gal Costa, “Água Viva” (Philips, 1978) só perde pro absurdo “Caras & Bocas” quando o assunto é o famigerado Ranking Gal Costa™ do OPS. Pode ser adquirido por um preço beeem baratin no Mercado Livre, embora o Original Pinheiros Style encoraje fortemente que vossa excelência vá à feira, sebo ou loja de discos mais próxima de vossa residência para adquirir a bolacha. De bate-pronto recomendamos a lindíssima Folhetim e a dançante De Onde Vem O Baião, e cravamos que não há faixa ruim no disco em questão. “Água Viva” é o sucessor do impecável álbum “Gal Canta Caymmi”, também de 78, e as altas expectativas foram imediatamente supridas em grande estilo, com um time de músicos que inclui ninguém menos do que Wagner Tiso, Toninho Horta e Sivuca. É, amigo… esse é obrigatório em qualquer coleção.

  1. Olhos Verdes
  2. Folhetim
  3. De Onde Vem o Baião
  4. O Bem do Mar
  5. Mãe
  6. Vida de Artista
  7. Paula e Bebeto
  8. A Mulher
  9. Pois É
  10. Qual é, Baiana ?
  11. Cadê

15/08/2014, por Pedro Pinhel - 1 comentário

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Produto da parceria entre Junior Mendes e o maestro dos arranjos Lincoln Olivetti, o LP “Copacabana Sadia” (RCA, 1982) é uma máquina de hits. Único disco lançado pelo cantor, compositor e produtor carioca em sua breve carreira, “Copacabana (…)” rendeu uma série de compactos e hits como a faixa-título, a dançante Copacabana Sadia, além das ótimas Rio Sinal Verde, Pedras de Cristal e Toque Tropical – que não faz parte do disco mas foi lançada no mesmo período em sete polegadas. Parceiro de Hyldon, Gastão Lamounier e ex-membro da banda Vitória Régia, de Sebastião Rodrigues Maia, Mendes teve ainda músicas gravadas pela mítica Banda Black Rio, e é considerado figura fundamental do movimento Black Rio do final dos anos 70 e início dos 80. Inflacionado no Mercado Livre e sumido das feiras e lojas especializadas há algum tempo, “Copacabana Sadia” é item de colecionador pra fãs de boogie, funk e soul brazuca de boa qualidade. Corra atrás da sua cópia, amigo!

  1. Copacabana Sadia
  2. Óbvio
  3. Que Signo Você é
  4. Agridoce
  5. Rio Sinal Verde
  6. Supersensível
  7. Hora H
  8. Pedras de Cristal
  9. Via Aérea
  10. Entrego A Deus

15/08/2014, por Pedro Pinhel - 2 comentários

RJ&LO

Possivelmente o mais antológico dos discos brasileiros quando o assunto é boogie, “Robson Jorge & Lincoln Olivetti (Som Livre, 1982)” marca o auge da parceria entre os mestres Robson Jorge e Lincoln Olivetti. O talento de RJ, exímio guitarrista e tecladista, aliado ao esmero de Lincoln como arranjador, compositor e produtor musical – o melhor da história do país na humilde porém petulante opinião do OPS – formou a mais azeitada das duplas musicais do final dos anos 70 e início dos 80, e nos presenteou com esta opereta do gênero. O OPS recomenda o hino funk Aleluia, perfeito para pistas de dança, e a matora Squash, além do hit Siri Que Marca a Onda Leva, disponível apenas em compacto single, que pode ser encontrado no Mercado Livre por valores acessíveis.

  1. Jorgea Corisco
  2. No Bom Sentido
  3. Aleluia
  4. Raton
  5. Pret-a-Porter
  6. Squash
  7. Fã Sustenido
  8. Zé Piolho
  9. Baila Comigo / Festa Brava
  10. Ginga
  11. Alegrias
19/06/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

WB_MB

Gravado em 1965 e lançado apenas no ano de 1975, “Meu Balanço” (CBS) é um dos mais cultuados LPs do guitarrista e maestro Waltel Branco, tido como o pai do funk psicodélico brasileiro. Instrumental e cheio de versões suingadas para clássicos do cancionairo brasileiro, o LP está avaliado em mais de R$500 (confira no Discogs!) e já começa matador com uma versão absurda para a folclórica Luar Do sertão. O disco foi reeditado (apenas em CD) pelo selo inglês Mr. Bongo no ano de 1995, e é uma das formas de acesso a esta pérola rara da música brasileira, já que o LP é mais disputado que ingresso da final da copa no Maraca – e tão caro quanto. Confira e divirta-se!

  1. Luar do Sertão
  2. Sonho no Céu
  3. Meu Balanço
  4. Lady Samba
  5. Apenas Um Coração Solitário
  6. Jael
  7. Walking
  8. Satiricon
  9. Carmen
  10. Meiguiçe
  11. Petit Fils
  12. Zoraia

19/06/2014, por Pedro Pinhel - 3 comentários

WOW! Tijolada na área! O Dj e jornalista californiano Allen Thayer acaba de confeccionar esta pérola de 80 minutos em homenagem aos 60 anos recém-completos do maestro Lincoln Olivetti, nome fundamental das produções boogie/funk concebidas em terra brasilis ao final dos anos 70 e ao longo da primeira metade dos 80. O resultado é uma mistura de faixas clássicas e obscuras do gênero, e um belíssimo e pra lá de versátil panorama da produção e da importância histórica de mister Olivetti. Ouça, baixe, divulgue!

08/06/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Compilação lancada em 2009 pela sempre atenta Analog Africa, “Legends of Benin” (2009) reúne gravações de 4 artistas do país africano em questão entre os anos de 1968 e 1981: Antoine Dougbé, El Rego Et Ses Commandos, Honoré Avolonto e Gnonnas Pedro & His Dadjes Band. Tudo absolutamente frenético e dançante, embora o som de cada artista tenha suas próprias características e cadências. Indicado ao OPS pelo entusiasta Ramiro Zwetsch, que comanda com pompa e circunstância a nave-mãe Radiola Urbana e a Safári, festa mensal especializada em música africana que rola no Boteco Pratododia. Baixe este clássico no iTunes aqui, e corra atrás do LP, porque trata-se de material da melhor qualidade!

  1. Gnonnas Pedro et ses Dadjes – Dadje Von O Von Non
  2. El Rego et ses Commandos – Feeling You Got
  3. Antoine Dougbé – Honton Soukpo Gnon
  4. El Rego et ses Commandos – E Nan Mian Nuku
  5. Honoré Avolonto – Tin Lin Non
  6. Gnonnas Pedro et ses Panchos – Okpo Videa Bassouo
  7. Antoine Dougbe et Orchestre Poly-Rythmo – Ya Mi Ton Gbo
  8. Antoine Dougbé – Nou Akuenon Hwlin Me Sin Koussio
  9. Honoré Avolonto – Na Mi Do Gbe Hue Nu
  10. El Rego et ses Commandos – Vimado Wingnan
  11. Honoré Avolonto et Black Santiago – Dou Dagbé We
  12. El Rego et ses Commandos – Djobimé
  13. Antoine Dougbé – Kovito Gbe De Towe
  14. Gnonnas Pedro et ses Dadjes – La Musiça en Verité

05/06/2014, por Pedro Pinhel - 1 comentário

Já está disponível pra streaming, download e whatnot a segunda parte do projeto Yasiin Gaye, “Yassin Gaye: The Return (Part II)”. A produção do maroto Amerigo Gazaway mistura no mesmo balaio grooves, vozes, beats e samples de ninguém menos do que Yasiin Bey – a.k.a. Mos Def – e Marvin Gaye, e o resultado vossa senhoria já deve ter conferido anteriormente. Baixe antes que o Big Brother tire do ar!

05/06/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

Mestre supremo das mixtapes malandras e discotecagens antológicas, o Dj e produtor J.Period (que já esteve por aqui homenageando Michael Jackson e Q-Tip, entre outros feras-neném) acaba de tirar do forno a suingadíssima “(…) Presents… The Legacy of JB”, ode de oitenta minutos ao ícone maior do soul-funk interplanetário, mister James Brown. O infortúnio: J.Period não disponibilizou a mix para download, fato que obriga vossa senhoria a degustar tão somente o streaming da pérola em si, mas olhemos para o copo cheio; é James Brown, é J.Period, e é imperdível. Boa sorte, e boa viagem!

05/06/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Possivelmente o melhor e mais coeso disco de rap lançado no ano de 2014, “Piñata” (Madlib Invazion) é resultado da bem-vinda colaboração entre o MC Freddie Gibbs e o prolífico produtor Madlib. A produção do Beat Konducta é impecável, como aliás não poderia deixar de ser, e faz a cama ideal pro talentoso Freddie Gibbs deitar e rolar. Os destaques do OPS são a ótima Deeper, cujo vídeo vossa senhoria confere logo abaixo, e a curiosa Knicks, em que Gibbs (nascido em Indiana e provável fã dos Pacers) sacaneia o escrete de Nova York e as constantes derrotas e temporadas frustradas – ele cita 95 e Michael Jordan, e ’05 e Lebron James. Disco de rap como já não se faz mais, e ótima pedida pros órfãos do gênero.

  1. Supplier
  2. Scarface
  3. Deeper
  4. High feat Danny Brown
  5. Harold’s
  6. Bomb feat Raekwon
  7. Shitsville
  8. Thuggin’
  9. Real
  10. Uno
  11. Robes feat Domo Genesis And Earl Sweatshirt
  12. Broken feat Scarface
  13. Lakers feat Ab-Soul And Polyester The Saint
  14. Knicks
  15. Shame feat BJ The Chicago Kid
  16. Watts feat Big Time Watts
  17. Piñata

04/06/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Opa! Novidade das boas na área! O músico e compositor baiano Russo Passapusso (Baiana Soundsystem / Ministereo Público) acaba de chegar com os dois pés na porta, lançando o compacto das músicas Paraquedas e Flor de Plástico. As faixas são os primeiros lançamentos de “Paraíso da Miragem”, disco prometido para agosto de 2014, e podem ser baixadas de grátis no próprio site do Russo. Acompanhado pelos músicos paulistanos Curumin, Zé Nigro e Lucas Martins, responsáveis pela produção do álbum, mista Passapusso faz show de lançamento do sete-polegadas dia 26 (segunda-feira) na Serralheria Guaicurus, em São Paulo. Vossa presença no show, que deverá ser concorrido, deve ser feita aqui. A capa do disquinho é assinada pelo compa Ricardo Magrão, que costuma acertar a mão quando o assunto são capas de disco. Fique ligeiro!

23/05/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Que honra! O OPS é um dos Djs convidados da Virada Cultural Paulista 2014, e vamos girar nossas pepitas de 7 e 12 polegadas nas cidades de Caraguatatuba (24 e 25 de maio) e Assis (31 de maio e 1 de junho)! A ideia é levar um pouco de reggae e música brasileira pra abrir os shows de artistas que admiramos e somos fãs, como a Wanderléa (em Caraguá), Moraes Moreira e os amigos do Metá Metá (em Assis). Pra saber mais sobre a programação da Virada, clique nos links acima e prestigie sua cidade!

13/05/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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“Afropolitan Dreams” (Jakarta Records, 2014) é um dos melhores lançamentos de 2014 até o presente momento, e o rapper ganês Blitz The Ambassador é uma das principais atrações da Virada Cultural, que rola nos dias 17 e 18 de maio no centro de São Paulo. Vivendo em NYC desde 2000, o MC é um dos grandes expoentes africanos do gênero, e a azeitada mistura de rap e afrobeat presente em sons como a hipnótica Make You No Forget, parceria com Seun Kuti (confira no vídeo abaixo!), são o grande trunfo do músico. A diáspora africana parece muito bem representada na música do artista, e o retrato cru da periferia de Accra mostrado no vídeo chama a atenção para os notórios problemas enfrentados pelos africanos desde que o mundo é mundo. A energia do filme, no entanto, é tão f@da que dá vontade de sair dançando por aí. Boa, Blitz!

  1. The Arrival
  2. Dollar and a Dream
  3. Sucess
  4. Internationally Known (feat. Sarkodie)
  5. Love on the Run (feat. Nneka)
  6. Call Waiting (feat. Angélique Kidjo)
  7. One Way Ticket
  8. Traffic Jam (Interlude)
  9. All Around the World (feat. Marcelo D2)
  10. Make You No Forget (feat. Seun Kuti)
  11. Africa Is the Future (feat. Oxmo Puccino, Oum & Blinky Bill)
  12. The Departure (feat. Amma Whatt)

13/05/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Outro disco novo?! Wow. Nem tá parecendo 2014…

“Southsiders” (Rhymesayers) é o mais novo disco do Atmosphere, duo de Minneapolis formado pelo MC Slug e pelo produtor Ant. A agressividade e o cinismo white trash característicos de álbuns como “Seven’s Travels” (2003) e “You Can’t Imagine How Much Fun We’re Having” (2005, e favorito do OPS) já não parecem mais ser os carros-chefes do Atmos; a fase quase-spoken-word, com beats mais suaves e BPMs pra lá de lentos iniciada no disco “When Life Gives You Lemons You Paint That Shit Gold”, de 2008, passou a ser a marca registrada da dupla. A ironia obviamente ainda está presente, mas a idade, a possivel melhora significativa da conta bancária, o conforto adquirido após um punhado de discos bem-sucedidos, a paternidade e o frio de Minnesota parecem ter domesticado e suavizado o discurso do rapper, e a Marcelodedoização do Atmosphere se torna um processo inevitável; como verbalizar a indignação e os anseios característicos do velho Slug, se esse cara não existe mais? O jeito é relaxar e curtir as ótimas produções de Ant, e aproveitar que alguém ainda cogita fazer discos de rap minimamente relevantes em pleno século 22…

  1. Camera Thief
  2. Arthur’s Song
  3. The World Might Not Live Through the Night
  4. Star Shaped Heart
  5. I Love You Like A Brother
  6. Southsiders
  7. Bitter
  8. Mrs. Interpret
  9. Fortunate
  10. Kanye West
  11. We Ain’t Gonna Die Today
  12. My Lady Got Two Men
  13. Flicker
  14. January On Lake Street
  15. Let Me Know That You Know What You Want Now

13/05/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Primeiro lançamento de inéditas da Nação Zumbi em 7 anos, “Nação Zumbi” é, ao menos na prepotente e praticamente inflexível opinião do OPS, o melhor dos últimos 3 discos da melhor banda do Brasil. O grande intervalo parece ter feito bem à NZ, e o resultado se traduz em 11 faixas – umas mais inspiradas, outras menos – que traduzem o espírito dos músicos e o atual momento das vidas de Jorge DuPeixe, Lucio Maia, Dengue e Pupillo, quarteto responsável pela composição de 100% do álbum. O OPS sugere a infalível sequência-miolo Defeito Perfeito, A Melhor Hora da Praia (que conta com participação especial de Marisa Monte), Um Sonho e Novas Auroras, melhor momento do disco. Nosso CEO Pedro Pinhel teve a honra de fazer parte, ao lado do compa Ricardo Magrão, da criação do projeto gráfico deste lançamento; uma honra e, acima de tudo, um grande prazer. Lançamento mais do que bem-vindo em um momento complicado da falida indústria fonográfica, e canditado óbvio a disco brazuca de 2014. Baixe o disco no iTunes e confira com seus próprios tímpanos!

  1. Cicatriz
  2. Bala Perdida
  3. O Que Te Faz Rir
  4. Defeito Perfeito
  5. A Melhor Hora Da Praia
  6. Um Sonho
  7. Novas Auroras
  8. Nunca Te Vi
  9. Foi De Amor
  10. Cuidado
  11. Pegando Fogo

13/05/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Certamente um dos melhores lançamentos de rap do ano – o que não chega a significar um grande feito num ano em que P#&*A nenhuma é lançada, “12 Step Program” é o novo e aguardado disco do duo angeleno People Under The Stairs. Favorito da casa, o PUTS continua a acreditar no gênero e, de forma independente, concebeu “12 Step (…)” sem alarde e se envolvendo pessoalmente em cada uma das etapas do lançamento, da produção à entrega online de LPs e – pasme – fitas cassete, produzidas em versões limitadas e altamente desejadas. Exímio produtor e ótimo MC, Chris “Thes One” Portugal faz a diferença na produção do LP, que se não está à altura dos melhores momentos da dupla, é sem dúvida um ótimo de rap. O OPS recomenda a faixa Umbrellas, que sampleia Tudo Que Você Podia Ser, do Clube da Esquina, e figura entre as mais interessantes da bolacha. Sempre na base do bom humor, marca registrada do PUTS, o disco tem momentos como a engraçada Breakup Music, em que Thes e Double K sugerem, fazendo uso pesado de samples de funk e R&B dos 70 e 80, a música ideal para o término de relacionamentos em geral. Garanta a sua cópia!

  1. Roundabouts
  2. Ste. For Reefer
  3. 1 Up Til Sun Up
  4. Cool Story Bro
  5. The Strand
  6. LA Nights
  7. Get Hip
  8. Pictures On My Wall
  9. Breakup Music
  10. Yes I Can
  11. Umbrellas
  12. Doctor Feelgood

13/05/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário

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Dia 23 de maio (sexta-feira) é dia de mais uma edição da festa Funky Nuggets, parceria entre o Boteco Pratododia e os discotecários Peba Tropikal (Veneno Soundsystem) e Pedro Pinhel (Original Pinheiros Style), e uma das únicas – quiçá a única! – festas do(s) gênero(s) em São Paulo nos dias de hoje. O tema da edição é o funk e o soul concebidos na Jamaica durante a era de ouro da música da ilha caribenha, com belas (e antológicas) versões, grandes clássicos autorais e todo o legado de uma das nações mais funky do planeta Terra e região. Para isso contamos com um convidado de respeito, o especialista Alex Jurassico (You&Me On A Jamboree/Jurassic Soundsystem), que promete um set específico de funk jamaicano e todas as suas vertentes, como o soul, o R&B e a disco music. O seletor fará seu primeiro set no Boteco Pratododia, e a ocasião não poderia ser mais especial. Cada vez mais azeitado e cheio de novas velhas pepitas garimpadas com afinco, o som da Funky Nuggets é um passeio por clássicos e obscuridades do universo funk-disco-boogie estadunidense, brasileiro, afro-latino, jamaicano e whatnot. Tudo em bolachas de 12 e 7 polegadas, para uma mais completa experiência estereofônica por parte de vossa excelência. Como já é de costume, o rendez-vous acontece a partir das 23h no já clássico e agora reformado Boteco Pratododia (Barra Funda boulevard, 34), e vossa entrada custa módicas 10 patacas. All night long style! A carta de cervejas do Boteco é impecável, e os preços continuam sendo os mais honestos do eixo centro-oeste da capital. Como de costume, suculentas porções dos já famosos Funky Nuggets serão servidas ao longo da noite. A iguaria é cortesia dos discotecários aos famintos funk freaks. Ah! A partir desta edição, a Funky Nuggets passa a ser produzida pela expert Lys Ventura, que é agora oficialmente a produtora das 4 sextas-feiras do Boteco. Bem-vinda, Lys! Vem que tem! Aqui tem FUNK!

12/05/2014, por Pedro Pinhel - nenhum comentário